Aos 6 anos na verdade eu já tinha uma ideia do que queria ser quando fosse adulta, por isso, fugia da classe para ficar na sala onde toda cenografia e material dos eventos da escolinha eram guardados, eu adorava mesmo eram os eventos, as festas e os acontecimentos e claro eu tinha que estar envolvida em todos eles, se não??? Dava o maior trabalho.
Dez anos depois, estava eu começando profissionalmente nos eventos e nas produções.
Me casei pela primeira vez aos 22 anos com o esteriótipo do "bom moço", mas todas as minhas energias sempre estavam voltadas ao trabalho e o casamento teve duração de 3 anos ( e foi casamento mesmo: na igreja, de noiva, com festa, no papel...com tudo que se tem direito), tudo que eu pensava era: VIDA PROFISSIONAL 100% do meu tempo; acho até que nunca fritei um ovo, cheguei a me mudar 5 vezes de casa em 3 anos por conta do trabalho e nunca perguntei a opniao da outra parte para nada, quando percebi, morava na mesma casa com um estranho, portanto, era hora do fim.
Aproveitando a deixa, me separei, mudei de cidade, de trabalho, de cabelo e de energia, não troquei um pelo outro, foi só o fim do que não fazia sentido mais.
Como aquariana, vivo achando que sou parte do mundo e tenho dificuldade de me apegar a coisas e a pessoas, ou melhor, eu gosto, me adapto mas nao me apego.
Dois anos depois, em um trabalho, conheço uma pessoa que nao faria parte da minha lista de desejos e certamente nem na lista da minha mãe que sofreu para se acostumar com a ideia de ver sua filhinha namorando alguem com: 8 tatuagens, brincos, vocabulário.... diferente, amizades e profissão nada convencional, enfim, como sou independente e não gosto de levar a ferro e fogo tudo que me falam depois de um ano estavamos juntos ...isso mesmo, morando juntos: Casados.
E ele me fez rever tudo que eu acreditava:
Precisava mesmo trabalhar tanto?
Precisava mesmo ter planilhas e programação até para os finais de semana?
Precisava mesmo pedir sempre comida fora? Me arriscar na cozinha não poderia ser curioso?
Precisava mesmo deixar de assistir um filme abraçada para ler uma matéria sobre trabalho?
Precisava mesmo ter tantas roupas caretas?
Precisava mesmo ter tantos sapatos caretas?
Enfim, ele me fez rever minha vida, meus conceitos, me ensinou a passear no shopping sem ter pressa, me ensinou a ficar de pijama no domingo de chuva, me ensinou a furar a lata de leite moça e comer direto na lata, me colocou no carro para provar um cavalo de pau ( odiei), me ensinou a usar gíria, a levar a vida menos a sério, me ensinou a falar sobre o amor, a falar sobre meus desejos a pedir um carinho, ele me ensinou a ter VIDA PESSOAL.
Não é fácil, eu ainda não vivo sem trabalhar a noite e nos finais de semana, durante as ferias respondo e-mails mesmo, mas consigo fazer as 2 coisas ao mesmo tempo e ele é sempre minha âncora para a Vida Pessoal, ele me tras de volta a vida sempre que tento me entregar ao trabalho ele já acostumou: faço muitas coisas ao mesmo tempo.
Somos tão diferentes, somos opostos e nos completamos muito, tenho que agradecer a cada dia, pelo carinho, pela paciencia, pelo amor sem fim, pela cumplicidades e pela amizade. Não existe se quer um segredo entre nós ( as vezes eu tenho medo de perguntar algumas coisas, porque ele conta mesmo sem dó nem piedade).
E assim é minha vida, meu amor e como tento ter uma VIDA.

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